segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Post 00002 (cada novo post será continuação do texto anterior)

Aquele seleto grupo de cientistas, cujos membros se tornaram os atuais heróis do planeta, estava comemorando. Festividades não condiziam muito com o temperamento daquela raça séria, pragmática - mas a intensidade da dedicação exigida aos envolvidos no trabalho agora cobrava seu tributo. A reunião de comemoração representava uma válvula de escape para a prolongada e febril ansiedade.

No salão onde eles festejavam, só se encontravam os indivíduos diretamente envolvidos no triunfante projeto que resultara no primeiro CTI funcional. Enquanto a notícia estava sendo assimilada pelo resto da população, realizava-se a confraternização - poucas horas após o término das análises (positivas, obviamente) sobre o teste definitivo da máquina.

Tal teste, inclusive, representara uma alta taxa de risco de vida para Honoh, um dos cientistas do grupo. Ele fora voluntariamente transportado pelo CTI ao universo diretamente inferior. A paixão daquela raça pela descoberta científica era tamanha que, quando obtinham acesso a algo de significativo impacto, eles frequentemente colocavam de lado as preocupações com segurança pessoal e mergulhavam de imediato na experimentação (quando o mais prudente seria enviar autômatos para as ações iniciais, principalmente testes de campo).

Assim, todas as teorias preconcebidas foram confirmadas, sendo então automaticamente “promovidas” a regras naturais do Cosmo. Honoh retornara dois milionésimos de segundo após a partida... e, segundo suas medições, permanecera no subnível por dois milhões de segundos. Ou seja, ele vivera por pouco mais de 23 dias no interior do átomo de ribélio, ao qual fora enviado – o que equivalia a um bilhão de vezes o tempo transcorrido durante sua ausência do universo natal. Ao cruzar a barreira interuniversal para o nível imediatamente abaixo, o átomo de ribélio revelou-se um sistema solar de 79 planetas, representando seus 79 elétrons. O enorme sol azulado, equivalente microversal do núcleo atômico do ribélio, banhava com sua luz e calor alguns planetas possuidores de vida inteligente nativa.

O sonho daquelo povo de cientistas, que era estabelecer contato com outras formas de vida superior, estava agora concretizado graças ao CTI. Eles, que há tempos haviam explorado completamente a sua galáxia, além de todas as outras dentro do alcance de sua evolução tecnológica (todas de configuração similar), jamais encontraram sinais de existência de outras raças inteligentes.

Uma pequena incursão de Honoh a dois outros sistemas solares ribelianos, vizinhos àquele no qual ele surgira, comprovou a teoria dos cientistas acerca do Microverso de Ribélio: todos os idênticos sóis possuíam idênticos planetas em sua órbita, os quais produziam formas de vida muito semelhantes, que por sua vez se encontravam em estágios evolutivos bem próximos. Honoh então explorara superficialmente todos os planetas habitáveis de um sistema até decidir, tomado pela impaciência (algo inusitado para os padrões de sua raça), retornar ao seu próprio universo com as boas novas.

Agora, antes de prosseguir na investigação do Microverso Ribeliano, os cientistas que participaram do bem-sucedido projeto comemoravam seu triunfo.

Todos pensavam na futura utilização do CTI.

Mas nem todos alimentavam as mesmas idéias sobre esta questão.

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