sexta-feira, 12 de março de 2010

Post 000018

Espaço sideral.

O cientista quase já não sofria qualquer influência significativa da atração gravitacional de OXI-17. O antigravitador, no momento, era desnecessário.

Os microjatos, no entanto, mesmo com força dobrada ainda levariam quase dois dias para transportar ele até o limite aproximado da esfera gravitacional de Salvação - isto é, caso ela realmente possuísse uma atmosfera. E era na aparência da lua, um azul-esverdeada com esparsos toques de branco, que o cientista depositava todas as suas esperanças.

Os produtos fabricados pelo povo-cientista sempre estavam preparados para enfrentar alguma eventualidade dentro dos limites de maior probabilidade. Tanto o antigravitador da pequenina sonda possuía a mesma potência que o do traje, como também os bocais dos microjatos podiam expelir partículas até oito vezes mais potentes e intensas do que o originalmente proporcionado pelo microrreator inicialmente fornecido. Portanto, os microjatos podiam suportar a carga simultânea de oito microrreatores-padrão – e podiam reagir de acordo com isso em forma de força ou velocidade, multiplicando-as por oito.

Por isso o cientista seria um idiota se não reduzisse à metade o tempo da viagem adicionando aos microjatos os dois microrreatores ligados ao antigravitador. A energia transferida duplicou a velocidade no vácuo espacial entre Salvação e OXI-17.

Assim que começasse a registrar uma atração gravitacional de Salvação sobre ele, o cientista deveria devolver ao antigravitador a energia roubada. Os microjatos seriam desligados e a energia de seus dois microrreatores permaneceria inativa. Não que ela não fosse útil. Seria de grande ajuda para aumentar o desempenho do antigravitador, que seria super-requisitado na tarefa de deter a queda para a superfície de Salvação, refreando a vertiginosa velocidade. Acontece que dois microrreatores simultâneos atingiam o limite máximo da capacidade total do antigravitador. Era o máximo de energia que ele podia suportar, dada sua constituição mais complexa que a dos microjatos, cuja única função era gerar e expelir força propelente.

O cientista procurou relaxar durante aquele percurso através do espaço livre entre os dois astros. Mais tarde precisaria de toda a sua calma a atenção para realizar o complicado processo de aterrissagem em Salvação.

Ele sabia que o pouso seria difícil e perigoso.

E sabia que isso talvez nem chegasse aos pés do que o esperava na lua.


___________________________________________________


Salvação possuía uma atmosfera de oxigênio.

E através dessa atmosfera, em direção à superfície do astro, descia vertiginosamente um corpo incandescente. Durante a descida, o corpo foi reduzido gradativamente sua velocidade até alcançar a imobilidade, duzentos metros acima do solo.

Então ele começou a voar paralelamente à superfície, até parar acima de uma área circular com cerca de cem metros de diâmetro, coberta de água. O corpo mergulhou nas águas frias do lago, deixando-se esfriar. Uma espessa coluna de vapor subiu do ponto onde a massa incandescente havia mergulhado.

Momentos depois, quando a água parou de evaporar, o corpo, já resfriado, surgiu à tona e encaminhou-se para a margem mais próxima.

Todavia, antes que ele pudesse atingir a terra firme, alguns tentáculos saíram da água às suas costas, envolvendo-o.

Enrolando-se totalmente nele, o puxaram de volta para dentro da água, onde permaneceu submerso.

Alguns minutos mais tarde, a água do lago já havia se imobilizado completamente, retomando sua serenidade anterior e não deixando qualquer vestígio do acontecimento incomum ali transcorrido.

Um comentário:

  1. Sempre que venho aqui no "ESCRITOR",fico com aquele gostinho de quero mais na boca...aff,isso é terrorismoooooooooooooo!!!!

    ResponderExcluir