- O código do laboratório do CTI? – repetiu o cientista, olhando para o símbolo desenhado no traje do interlocutor – Mas você não é do Departamento de Genética?
- Sou sim – respondeu Honoh – mas acontece que um amigo meu trabalha aqui com o CTI, e essa entrega para ele é urgente. Ele deve estar lá agora.
- E por que não enviaram um robô-entregador para fazer isso?
- É um assunto delicado e particular. Eu preciso falar pessoalmente com ele.
- Essa aí é a entrega urgente? - perguntou o cientista, apontando para a maleta que o outro segurava.
- É sim – confirmou Honoh – está aqui dentro. E o código?
- Ah, sim. Desculpe – disse o cientista que Honoh havia interpelado, fornecendo-lhe enfim o código do laboratório onde estava instalado o CTI – Neste momento só há duas pessoas trabalhando lá. Uma delas deve ser a que você quer encontrar. Acho que estão realizando os testes finais na máquina, antes do desmonte.
- Obrigado, colega.
- Por nada, colega.
Honoh afastou-se do outro, tomando a direção da cabine interna mais próxima.
“Testes finais antes do desmonte?”. O comentário deixou o renegado um pouco espantado, mas não se atreveu a perguntar de que se tratava. Não seria conveniente agora, tão próximo do sucesso completo de seu plano-mestre, assumir qualquer espécie de risco, por mínimo que fosse. Da forma com que falara, seu interlocutor dera a impressão de se tratar de um assunto sobre o qual todos estariam mais do que cientes. Provavelmente planejava-se a transferência daquele CTI para outro local, talvez até para outra cidade (se isto representasse a inauguração de uma laboratório novo naquele prédio, em lugar do antigo, era natural se esperar que todos os membros do instituto na cidade estivessem a par do caso, acompanhando-o com interesse).
Honoh chegou à cabine interna amarela, entrou e digitou o código recém adquirido.
O único indício de que o teleporte havia ocorrido foi uma luz azulada que por um breve instante substitui a iluminação interna da cabine fechada. Mas aquela luz azulada não era emitida no interior da cabine onde entrara o indivíduo. Era a iluminação projetada após uma recepção, ou seja, o indivíduo já se encontrava em outra cabine, a receptora dona do código digitado na primeira.
Honoh abriu a porta e saiu da cabine instalada no laboratório em que se encontrava seu objetivo final.
Um Conversor de Transporte Interuniversal.
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Ele estava monitorando o computador da máquina.
Isso, agora, era obrigatório – e aquela era uma experiência classificada como altamente perigosa. Uma experiência para a qual só poderia ser incumbido um dos melhores elementos, um dos operativos cientistas mais qualificados do Instituto.
Não havia mais pessoas no laboratório. Ele precisava dedicar sua total atenção às indicações do computador e não necessitava de qualquer auxílio – e muito menos da ocasional e involuntária distração proporcionada pela presença de outra pessoa.
O banco onde ele estava sentado fora equipado com uma espécie de encosto alto, para impedir que a chegada de alguém no recinto o distraísse ou incomodasse. Aquilo impedia que sua visão global abrangesse o resto da sala, além do painel do computador. Ninguém suspeitava que justamente esta medida, ao invés de ajudar, traria a desgraça.
Quem recearia a inesperada e completamente improvável ação de um criminoso? A própria noção de “crime” era desconhecida no planeta Ro.
Até alguns segundos atrás, houvera um outro indivíduo com ele no laboratório. Agora este outro já se encontrava no interior de um átomo, átomo este que estava no interior de uma molécula, que por sua vez estava no interior de uma pedra que fora depositada no interior do compartimento de projeção da máquina.
Cabia a ele evitar que um eventual imprevisto impedisse o enviado de retornar dentro do prazo combinado e programado no computador da máquina, previamente estipulado em metade do prazo de estabilidade da imitação energética. Era uma dupla medida de segurança.
Esta era uma das últimas experiências permitidas, atendendo ao apelo de uma facção de cientistas interessados em completar os registros iniciais referentes ao processo como um todo.
Contudo, esta sua atual obrigação - por sinal de enorme responsabilidade - não chegava nem aos pés da que lhe estava destinada para um futuro próximo. Como poderia suspeitar o quanto aquela tarefa simples, embora vital, se complicaria?
Naquele momento, aquele cientista cônscio de seus deveres estava absolutamente longe de desconfiar até que ponto tais deveres chegariam. Algo certamente além de sua atual capacidade de fantasiar. Imaginava que não teria muito mais ação além de simplesmente observar os monitores, mas não poderia estar mais enganado...
Ele jamais teria adivinhado a tarefa que o Destino lhe reservara.
Mas, afinal, quem poderia ter previsto a inacreditável crise que estava por vir?
"Mas, afinal, quem poderia ter previsto a inacreditável crise que estava por vir?"
ResponderExcluirAh mistério viu???
Caraaaaaaaaaaaaaaaaca Alê,rsrsrsrsrsrsrsrs,mas tudo bem,tenho paciência e vc sabe bem disso!
Aguardo mais notícias vindas do planeta RO ok?
Diretamente do planeta Terra,
tua fâ número ZERO,
Ro