sábado, 21 de novembro de 2009

Post 000012

Quando seu suprimento contava com 120 horas de ar respirável, o cientista encontrou um planeta que parecia ser ideal. Dez mil quilômetros acima da superfície, ele preparou a sonda exploradora para enviar ao mundo, que batizou como OXI-8 (por se tratar do oitavo astro com oxigênio que visitava).

A sonda, que era uma esfera de 10 cm de diâmetro, foi enviada ao planeta para analisar a atmosfera, além de detectar os compostos minerais e eventuais formas de vida que ali existissem.

Ao retornar, a sonda confirmou as impressões visuais do cientista acerca da composição atmosférica do planeta azulado, trazendo-lhe uma análise satisfatória. A atmosfera era respirável, e havia vegetação rasteira cobrindo quase toda a superfície, onde também viviam animais de pequeno porte.

A sonda forneceu a distância exata entre o cientista em órbita e a superfície do planeta, considerando as coordenadas centrais do hemisfério visível, ou seja, o ponto do solo mais próximo dele. Assim, ele programou e ativou o STEP, materializando-se a poucos centímetros do solo. O método de executar um salto sobreespacial ao interior da esfera planetária sem o equipamento necessário para absorver o choque dimensional não era, de modo algum, recomendável - contendo certa taxa de risco ao próprio operador.

Porém, ele não tivera tempo de se preparar adequadamente antes do unitransporte, e não possuía o equipamento padrão das operações planetárias ao Microverso: uma espaçonave individual. – onde contaria com um recurso perfeito para a situação em que se via agora. Se não quisesse pousar diretamente com o veículo na superfície do mundo, teria ainda a sua disposição um transmissor OLEV de matéria – o meio-termo entre um STE e um sistema de cabines teleportadoras.

O transmissor OLEV, que também realizava um teletransporte através da 5ª dimensão, era equipado para absorver o eco dimensional resultante da ruptura da barreira espaço-tempo, mas não possuía a comodidade e segurança de um terminal receptor. Transmitia a carga para quaisquer coordenadas espaciais tridimensionais previamente determinadas. Assim como as cabines, ele absorvia os ecos dimensionais do teleporte – já o STEP, não. A aparelhagem necessária para a absorção do choque de ruptura era complexa e mais volumosa do que alguém seria capaz de levar por ai preso ao traje espacial.

Até agora, não havia arriscado a perigosa manobra de chegar à superfície de algum astro com o auxilio do STEP - a sonda o havia precavido antecipadamente das condições desfavoráveis dos planetas OXI-1 a OXI-7. Mas OXI-8 parecia corresponder a todas as suas necessidades. Ou quase todas.

Pisando sobre o tapete verde de vegetação do planeta, o cientista pegou algumas frutas exóticas entre os dedos. Eram macias e pareciam nutritivas. Colocou uma no analisador do seu traje.

A composição química era boa e o fruto continha muitos nutrientes. Porém o aparelho acionou um alarme, pois detectara entre os componentes uma bactéria mortal para o organismo do cientista.

Nada de mais, claro. Havia uma infinidade de espécimes vegetais naquele planeta, e alguns deles certamente deveriam ser adequados ao seu metabolismo.

Contudo, depois de horas analisando centenas de frutas, legumes, raízes e até folhas das mais variadas espécies, o cientista enfim desistiu. Toda a vegetação do planeta parecia estar contaminada por aquela bactéria.

Decepcionado, resolveu analisar alguns ovos de animais que encontrou. O resultado, naturalmente, foi o mesmo. Os animais nativos alimentavam-se da vegetação e, conseqüentemente, das bactérias que ela continha. Examinou então uma amostra do solo e descobriu uma porcentagem incrível desses microorganismos nocivos ao seu metabolismo. Parecia que a vida em OXI-8 era fundamentada nessas bactérias. Provavelmente, um hipotético e repentino desaparecimento daquela forma de vida em particular acabaria por exterminar todo o ecossistema do planeta.

Mas uma coisa ainda intrigava o cientista. Se o solo do planeta era infestado de bactérias, então por que a sonda indicara uma atmosfera prefeita para o seu organismo?

Decidiu analisar o ar ao seu redor e os instrumentos não registraram uma única bactéria. Então era isso!

Os microorganismos parasitas não sobreviviam ao ar livre. Viviam exclusivamente no solo e nos vegetais, alimentando-se de materiais orgânicos ou minerais. O ciclo de vida em OXI-8 limitava-se ao espaço dentro da faixa de um metro acima do solo. Ultrapassada essa faixa, existiam apenas os gases que compunham a atmosfera do planeta - nada de plantas, insetos ou microorganismos. Devido às características dos movimentos de rotação e translação do planeta, nele não surgiam correntes de ar capazes de movimentar e estender esta ridícula faixa vital. OXI-8 era um mundo muito jovem e, aparentemente, sem grandes expectativas em matéria de evolução. A vida nele parecia estar condenada a durar pouco tempo, até que as bactérias de proliferassem a ponto de consumir e esgotar todo o alimento disponível. Quando não tivessem mais do que se alimentar, tornando a face do planeta totalmente estéril, finalmente morreriam, deixando OXI-8 desprovido de formas de vida.

A natureza falhara - pensou o cientista - ao criar naquele mundo uma bactéria parasita sem inimigos naturais.

Não, não falhara.

A natureza nunca falhava. Seria um sacrilégio cientifico afirmar o contrário. Quando ela criou um mundo em que a vida duraria pouco tempo, deve ter tido suas razões dentro de um contexto maior. Se esse mundo existia, era porque possuía uma determinada função dentro do Multiverso.

Tudo tinha sua razão de ser. Mesmo que fosse apenas para decepcionar um cientista em busca de alimentos.

O cientista obrigou sua mente a abandonar os devaneios metafísicos. Não era um bom momento para divagar sobre suas tendências ao Gasagismo – corrente iniciada pelo cientista Gasag eras atrás, e que defendia a inexistência do acaso no Cosmo. Algo que, por sua vez, automaticamente pressupunha a existência de uma vasta inteligência central orquestrando tudo.

Mas agora, mais do que nunca, o tempo urgia. De volta à ação!

Ele encheu seus tubos de oxigênios vazios com o ar do planeta. O problema das reservas de ar respirável estava temporariamente resolvido, contando novamente com 300 horas de uso constante.

O que era dez vezes mais do que durariam suas atuais reservas alimentares.

Continuava incessantemente as consumindo, mesmo o que o ejetor de dejetos orgânicos do traje fosse acionado apenas, em média, a cada sete ou oito horas. Afinal, era um sistema de emergência, de uso apenas eventual. Supunha-se, claro, que um explorador espacial do povo cientista nunca precisaria ficar tanto tempo atuando em condições tão desfavoráveis quanto aquelas. Imaginava-se que sempre disporiam dos confortos de uma nave e o traje espacial seria utilizado em raras e curtas circunstâncias.

Agora, a questão era que, se o analista aventureiro não encontrasse logo um mundo que lhe fornecesse alimentos adequados, não chegaria a gastar um sexto de sua atual reserva de ar.

Um morto, afinal, não respira.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Post 000011

Quando, subitamente, viu-se em meio a uma escuridão completa, o cientista acendeu as luzes externas do traje e olhou para o cronômetro.

No momento do unitransporte, a contagem inicial fora interrompida, registrando 3 minutos 47 segundos e 99 centésimos.

Apenas dois centésimos de segundo antes do Juízo Final.

Caso esses dois centésimos houvessem transcorrido antes do unitransporte, seria impossível restabelecer o equilíbrio entre os dois universos sequenciais.

Agora, precisava substituir a remessa anterior do CTI, voltando a seu universo de origem com uma carga bem maior do que carregava no momento.

Assim, após esgotados os 3:48:01 minutos do prazo de eficácia da imitação energética que o CTI retirara do Microverso, esta matéria “roubada” manteria perpetuamente o equilíbrio comprometido. Não importaria o que acontecesse com ela depois, sua função já estaria cumprida – afinal, nada se perde, tudo se transforma. O que importava ali era o local onde esta transformação ocorreria.

O cientista obrigatoriamente deveria retirar do Microverso a quantidade de matéria orgânica viva equivalente ao conterrâneo desaparecido, somada à quantidade de matéria inorgânica sem vida e energia que o fugitivo carregava, equivalente a seus equipamentos.

Isso tudo, naturalmente, teria que acontecer antes que transcorressem os dois centésimos de segundo que faltavam em seu universo original, o que equivalia a pouco mais de um ano e um mês no Microverso. Esse era todo o tempo de que dispunha o cientista para cumprir sua tarefa.

Após este prazo, o equilíbrio entre os universos não mais poderia ser restabelecido, o que quer que se fizesse depois. A carga energética que substituía a matéria unitransportada entraria em colapso e uma nova matéria enviada no sentido inverso seria considerada pelo Cosmos com uma anomalia inteiramente nova, que também precisaria ser eventualmente compensada. Mas isto já não teria importância, não faria diferença. No exato momento do colapso anterior seria disparada, a partir dos dois universos envolvidos, uma espécie de onda de choque que avançaria nível após nível, como um câncer se alastrando pela infindável sequência de universos - em tese, iniciando um processo que faria suas estruturas ruírem em cascata, uma após a outra.

Obviamente, estes eram resultados teóricos que seu povo não fazia a menor questão em testar e comprovar na prática, a despeito de sua inerente ânsia em conhecer a fundo cada detalhe das engrenagens que faziam o Todo funcionar. De nada adiantaria submeter o que fora postulado a uma verificação real... e não sobrar alguém vivo para colher os resultados depois. Em casos assim, o melhor era confiar nos cálculos minuciosa e exaustivamente realizados. Apoiar-se no vasto e profundo conhecimento que detinham sobre as leis do Cosmo, por constituírem uma raça que nascera para a ciência, com currículo há milênios impecável.

Pouco mais de um ano um mês.

Esse era o intervalo de que dispunha o cientista para salvar o Multiverso.

Esse era o todo o tempo que poderia usar para encontrar as matérias que precisavam ser levadas ao seu universo de origem, salvando o Multiverso da destruição total. Era seu prazo limite para evitar que tudo deixasse de existir como era conhecido. Enfim, era a divisa que agora guiava as ações daquele despretensioso, porém destemido, cientista analítico do Instituto Científico.

Ele olhou para a nova contagem em seu cronômetro, iniciada assim que fora unitransportado. Já haviam se passado mais de dez minutos desde a sua chegada, desde o inicio de sua viagem não programada ao Microverso. Estava agora em missão vital e precisava começar a agir. Continuaria meditando quando pudesse.

Pareceu a ele que estava neste momento em pleno espaço entre constelações, um extenso vazio distante das aglomerações de estrelas mais próximas. Podia ver ao longe alguns pontos ofuscantes e irregulares. Eram as constelações daquela galáxia do Microverso, que, em seu universo de origem, o cientista sabia serem moléculas ou grupos de moléculas do objeto que estava no interior do compartimento de projeção do CTI.

Ele nunca havia sido unitransportado antes, e tampouco realizara longas viagens estelares em seu universo. Por isso, não possuía qualquer experiência em espaçonáutica. Mas, como qualquer um de sua raça, conhecia relativamente bem toda a parte teórica da coisa.

Confirmou as impressões visuais com os limitados sensores do traje - que ainda não conseguiam medir a distância exata até a estrela mais próxima, sinal inequívoco de que estava em uma região relativamente vazia daquela galáxia. Assim, ajustou o gerador STEP (equipamento de Salto Sobreespacial Portátil), que era parte primordial de seu equipamento espacial, para que realizasse um deslocamento em direção à constelação mais próxima.

O STEF (Saltador Sobreespacial Fixo, que em naves espaciais era bem maior devido à maior quantidade de massa que deveria “carregar”) era um aparelho que movimentava uma porção de matéria sem a mínima perda de tempo e por enormes distâncias, através da Quinta Dimensão (mais conhecida como Sobreespaço). Quando ativado, o STEF “perfurava” a barreira dimensional entre o espaço-tempo normal (Quarta Dimensão) e o Sobreespaço, onde o fator tempo não existia. Com a manipulação da própria energia sobreespacial que o STEF usava como combustível, a matéria que ele era encarregado de deslocar conseguia sustentar-se no ambiente estranho, penetrando através da fenda criada e saindo instantaneamente por outro rombo na parede dimensional – este, criado no ponto de destino de volta à Quarta Dimensão, previamente determinado pelo operador. Era como se o objeto fosse removido de um ponto do espaço normal e retornasse em outro, subvertendo e desprezando os fatores distância e tempo.

Assim como no sistema de cabines teleportadoras no planeta natal dos cientistas, o STEF constituía-se de um método de transporte instantâneo - mas não poderia ser acionado no interior da esfera gravitacional de um planeta. As fendas abertas no espaço-tempo através dele, ao cooptar maiores doses de energia que permitiam vencer distâncias astronômicas, geravam ondas que seriam prejudiciais aos fluxos de energia naturais e artificiais de uma região. Nas imediações de um astro - e próximo a uma civilização avançada - isto seria desastroso. Já o sistema de cabines, embora se valesse de princípios idênticos aos STE’s, não permitia que os choques dimensionais se propagassem. Eles eram criados, contidos e camuflados no interior das cabines especialmente projetadas. Algo que, por sua vez, limitava o alcance do equipamento.

O uso dos STE’s era proibitivo dentro de uma esfera planetária ainda por outras razões. Tratava-se de um método impreciso, só aconselhável para cobrir distâncias espaciais, sempre com margem de erro de alguns segundos-luz. Isso porque o operador muitas vezes não tinha como visualizar ou conhecer propriamente um ponto exato de destino. Apenas definia a distância, muitas vezes estipulando o salto na base do palpite, de acordo com dados dos sensores de longa distância e seu próprio senso de avaliação.

De qualquer forma, o sistema STE era o mais rápido e eficiente meio conhecido de realizar viagens interestelares ou até intergalácticas. E para utilizá-lo, não importava em que universo se estivesse, pois cada nível do Multiverso possuía as mesmas regras cósmicas, a mesma base da física, as mesmas conexões com todas as demais dimensões.

Quando a breve contagem regressiva do aparelho terminou, o salto foi realizado.

O cientista olhou em direção à constelação de destino. Não parecia estar mais perto, e de qualquer forma a distância ainda era grande demais para que seus limitados sensores portáteis pudessem medir adequadamente.

Ou seja, o salto fora muito curto.

Realizou outro deslocamento, desta vez ajustando o STEP para uma distância dez vezes maior.

Agora sim, já se notava uma ligeira aproximação.

Conforme ia saltando e avançando em direção a seu objetivo imediato, o cientista acostumava-se com o processo, tanto na sensação imediata de locomover-se a tal “velocidade” como no manejo adequado e seguro do STEP.

Quando finalmente chegou na constelação desejada, enfim se tornou um especialista em determinar as distâncias dos saltos entre a posição em que se encontrava e um ponto especifico escolhido no espaço, mais freqüentemente composto de uma estrela-alvo qualquer. Com a perícia inerente a sua raça, dominou rapidamente a técnica de conjugar dados dos sensores com avaliação visual, para se deslocar através de uma região espacial desconhecida da melhor forma possível.

Então resolveu começar logo a procurar um planeta adequado para a realização de sua tarefa principal. Sua reserva de oxigênio contava com pouco mais de 194 horas de ar respirável, e suas rações alimentares já estavam reduzidas à metade.

Saltando de um sistema solar a outro, procurava um mundo de oxigênio apropriado a sanar uma dupla - e vital - função: suprir sua necessidade de renovar os suprimentos para sua própria sobrevivência e obter os materiais que deveriam ser enviados a seu universo de origem dentro de 13 meses.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Post 000010

2ª PARTE: PROVIDÊNCIAS

Quando estava prestes a abaixar a chave-mestra de desativação do CTI, o cientista-analítico viu na tela do computador que aquilo já não adiantava mais. Endereçou um rápido olhar para a plataforma de atuação.

Vazia.

Então ele voltou-se novamente para o painel e acionou o sistema de retorno.

Mas nada aconteceu!

Assustado, verificou no computador o que havia de errado e foi tomado por um pânico instantâneo. No auge da incredulidade, descobriu que o sistema de rastreamento fora desativado. Pior ainda, o ponto de destino havia simplesmente sido apagado da memória do computador!

Perdeu valiosíssimos segundos em sua perplexidade.

Era inacreditável, aterrador! Aquele maluco não sabia que com isso colocava em risco a existência de todo o Multiverso? Essa atitude poderia fazer com que ele próprio, juntamente com todos os universos, deixasse de existir! Ele não apenas se condenara como condenara consigo o Multiverso inteiro!

A não ser que alguém tomasse uma providência.

Antes que fosse tarde demais, o que aconteceria em no máximo alguns minutos!

O modesto analista de dados, que naquela manhã chegara ao Instituto contando com um plantão calmo e sem surpresas, começou a correr contra o relógio como jamais fizera antes em sua longa vida. Não podia perder tempo. Agora tudo dependeria apenas dele e de sua rapidez.

Tudo, literalmente.

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O cientista iniciou o que seria a missão de sua vida. Sem parar de trabalhar no computador, olhou para o mostrador do CTI e viu que 11 segundos já haviam transcorrido do unitransporte realizado. O computador forneceu os primeiros dados: considerando a massa unitransportada e a natureza da matéria utilizada como meio de penetração no Microverso (ele não sabia de que matéria se tratava e nem pesou em perder tempo indagando isso ao computador), o simulacro energético retirado do ponto de destino levaria três minutos, quarenta e oito segundos e um centésimo para entrar em colapso, contados a partir do momento em que o unitransporte fora realizado. Se a quantidade de matéria enviada fosse grande (como uma pequena espaçonave, por exemplo), o prazo de estabilidade seria muito menor. Ainda bem que não era esse o caso.

De qualquer forma, não haveria tempo para retirar de dentro do compartimento de projeção a matéria utilizada como meio de entrada no Microverso (qualquer que ela fosse), localizar um laboratório onde houvesse algum equipamento de desintegração disponível, chegar com o objeto ao local e conseguir acesso para utilizá-lo. O procedimento de destruição seria uma das duas únicas opções ainda viáveis para evitar o desastre iminente. A outra, claro, seria a reposição da carga enviada. Para isto, seria preciso ir ao encalço do insano fugitivo e trazê-lo de volta com toda a carga que levara (algo inviável, dada a aparente impossibilidade de rastreá-lo e localizá-lo dentro de toda uma galáxia desconhecida e sem qualquer ponto de referência). Então, só lhe restava um caminho: o de improvisar, “seqüestrando” do Microverso de destino uma porção de matéria exatamente equivalente ao lote enviado, tanto em tipo quanto em quantidade, levando-a em definitivo para o universo do povo cientista.

Olhou para o mostrador de tempo: 20 segundos já haviam se passado.

O computador não cessava de fornecer as informações solicitadas pelo cientista, que não podia se dar ao luxo de ficar refletindo sobre elas. Seus dedos corriam sem interrupção sobre as teclas. Ele mal conseguia memorizar os dados recebidos, antes que a tela fornecesse outros novos.

A máquina expeliu de uma fenda a lista que continha a quantidade exata de matéria orgânica viva, matéria mineral sem vida e energia que havia sido transportada ao Microverso. O cientista apanhou o cartão com a lista e o colocou em um bolso, sem parar de trabalhar no teclado.

Programou o CTI para realizar o próximo unitransporte sobre um ponto qualquer da matéria que estava no compartimento de projeção, assim que alguém pisasse sobre a plataforma de atuação. Não se esqueceu de também reativar o sistema rastreador do computador.

Pegou um cronômetro especial e o acertou com o mostrador do computador no instante em que este indicava 47 segundos exatos transcorridos desde o último unitransporte realizado, além de ajustá-lo para interromper a contagem e iniciar uma nova assim que ele próprio fosse unitransportado.

Saiu correndo em direção aos armários. Em tempo recorde, vestiu o traje espacial e abasteceu-se de oxigênio e alimentos o melhor que as circunstâncias permitiram. Também pegou o aparelho sinalizador de retorno, que, quando ativado, transmitiria o comando para que o CTI o trouxesse de volta do Microverso.

Enquanto corria, agora em direção à plataforma de atuação, olhou novamente em seu cronômetro.

3 minutos e 42 segundos.

Equipar-se adequadamente para a operação consumira um tempo precioso. Desesperado, o cientista deu um salto incrível e caiu sobre a plataforma.

3 minutos e 45 segundos,

Seguindo a programação de emergência que o cientista havia previamente introduzido no computador, o CTI ativou o campo energético da plataforma e sugou as micromatérias da área no mínimo tempo possível.

Então o novo unitransporte foi realizado.